segunda-feira, junho 20, 2005

Frágil Balsa...

"Quando a insegurança sobe a bordo, perde-se a confiança, a ponderação e a estabilidade da navegação. À deriva, a frágil balsa do relacionamento oscila entre as duas rochas nas quais muitas parcerias esbarram: a submissão e o poder absolutos, a aceitação humilde e a conquista arrogante, destruindo a própria autonomia e sufocando a do parceiro. Chocar-se contra uma dessas rochas afundaria até mesmo uma boa embarcação com tripulação qualificada - o que dizer de uma balsa com um marinheiro inexperiente que, criado na era dos acessórios, nunca teve a oportunidade de aprender a arte dos reparos? Nenhum marinheiro atualizado perderia tempo consertando uma peça sem condições para navegação, preferindo trocá-la por outra sobressalente. Mas na balsa do relacionamento não há peças sobressalentes."

( "Amor Líquido")

3 Comments:

Anonymous Anônimo said...

UHUUUUUUUUUUUUUUUUUU!!!
Mandou muito bem, Fabin!
Caiu como uma luva para o q estou vivendo, ou melhor vivi!!!

Bjo no coração!

20 de junho de 2005 às 18:24  
Anonymous Anônimo said...

Destruir a própria autonomia. Isso é algo que eu não me PERMITO mais. Eu me descobri, finalmente.
Ontem, lendo um trecho de Insustentável Leveza do Ser, Tomas se deixa levar pela gentileza de um desconhecido e acaba dizendo coisas a respeito de sua vida que ele não queria ter dito (o estranho era um policial). Tomas ficou arrependido por ter-se deixado levar pelo tom amigável da conversa.
É neste ponto que eu quero chegar. Até onde a gente perde nossa autonomia, nossa desconfiança saudável e se deixa levar por papos adocicados?
Pois foi assim que caí em um monte de relacionamento lixo(obviamente foi bom pq aprendi um monte). A gente quer só quem nos trate bem, nos elogie, e acredite: sem crítica a gente não vai a lugar algum. Não quero me deixar prender por elogios - nunca mais.
Evidentemente elogios verdadeiros são bons...
POr exemplo: Fábio vc é especial! hahaha :)

Bjinhos... Ah, o poema Loucura do Khalil cai muito bem, principalmente a última parte:

Perguntais-me como me tornei louco. Aconteceu assim:

Um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido, despertei de um sono profundo e notei que todas as minhas máscaras tinham sido roubadas – as sete máscaras que eu havia confeccionado e usado em sete vidas – e corri sem máscara pelas ruas cheias de gente gritando: “Ladrões, ladrões, malditos ladrões!”

Homens e mulheres riram de mim e alguns correram para casa, com medo de mim.

E quando cheguei à praça do mercado, um garoto trepado no telhado de uma casa gritou: “É um louco!” Olhei para cima, para vê-lo. O sol beijou pela primeira vez minha face nua.

Pela primeira vez, o sol beijava minha face nua, e minha alma inflamou-se de amor pelo sol, e não desejei mais minhas máscaras. E, como num transe, gritei: “Benditos, benditos os ladrões que roubaram minhas máscaras!”

Assim me tornei louco.

E encontrei tanto liberdade como segurança em minha loucura: a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido, pois aquele que nos compreende escraviza alguma coisa em nós.

22 de junho de 2005 às 09:40  
Anonymous Anônimo said...

...pecas sobressalentes? Num sentimento que estoca mesquinharias pre-fabricadas?
O amor so se compara ao tumor em caso de metastase: ao diagnosticar a peca quebrada, tem -se a certeza - que o medo impede que admitamos de cara - de que toda ela ja esta comprometida, e nao apenas parte dela, podendo perfeitamente ser substituida.

Gildenlow

30 de junho de 2005 às 08:46  

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