domingo, maio 30, 2004

Fardo

se enganando...


Será possível ser natural? Será possível ser eu mesmo na presença de outras pessoas? Ou será possível apenas vestir certas máscaras?
Talvez seja mais fácil ser um pouco mais natural com certas pessoas do que com outras... é, com certeza naum dá pra ser natural com certas pessoas... pode acontecer da carga emocional ser forte demais e aí vc simplesmente naum conseguir segurar a onda e... a essa altura sua naturalidade já era.
Cada sorriso, cada gesto, cada palavra... as palavras entaum, nem se fala... tudo isso se mostra muito carregado de passado. Minha memória é inimiga da minha naturalidade. Sentir-se patético nessas horas é normal, né?
Mas... é com esses fardos que a vida se forma, certo? É q as vezes cansa carregar essas coisas...
"This is not what I wanted to be"


"Time after time
I am wasting my time
Living in a past where I was strong
But now I am gone
I leave no shadow when I'm alone"


[Daniel Gildenlow]

sexta-feira, maio 28, 2004

mais uma vez

Às vezes é melhor deixar
A onda passar
Às vezes é melhor virar a página
E recomeçar
Tudo de novo, tudo de novo
Mais uma vez
Às vezes é melhor sorrir
Que imaginar
Às vezes é melhor não insistir
E deixar rolar


E tratar as sombras com ternura
O medo com ternura
E esperar

Às vezes é melhor deixar
O grito escapar
Às vezes é melhor perder o controle
E desabar

E quebrar todas as promessas
Todas as promessas
E atacar
(Lobão)


Valeu mulek! essa letra eu tinha q postar!

terça-feira, maio 25, 2004

Ando tão a flor da pele
Que qualquer beijo de novela me faz chorar
Ando tão a flor da pele
Que teu olhar flor na janela me faz morrer
Ando tão a flor da pele
Que meu desejo se confunde com a vontade de não ser
Ando tão a flor da pele
Que a minha pele tem o fogo do juízo final
Um barco sem porto
Sem rumo sem vela
Cavalo sem cela
Um bicho solto
Um cão sem dono
Um menino bandido
Ás vezes me preservo
Noutras suicido

(Zeca Baleiro)

segunda-feira, maio 24, 2004

É uma merda ter sido criado nos paradigmas românticos... acredito em tanta baboseira q de vez em quando penso em me mudar para um lugar bem exótico (culturalmente falando)... um lugar onde as pessoas nunca tenham ouvido falar em monogamia, fidelidade, casamento, reciprocidade, confiança um no outro, companheirismo, etc, etc, etc. Um lugar onde a palavra "coração" signifique nada mais além do que um órgão do corpo humano responsável em bombear o sangue para nossas veias e artérias. Um lugar onde nem sequer exista telefone. Onde não exista cama de casal para que o desejo de dividir o lençol com alguém nunca passe pela minha cabeça. Um lugar onde as comédias românticas sejam os filmes menos assistidos (Cidade dos Anjos e Doce Novembro seriam imbecis produções hollywoodianas), visto que ir ao cinema acompanhado seria de extremo mal gosto. Um lugar onde um bonito luar me faça ter saudades do sol escaldante. Um lugar onde saber os gostos de outra pessoa seja falta de educação e se preocupar com outra pessoa seja uma desonra para ela.
É... apesar de tudo conspirar contra, apesar de tudo o que vejo ao meu redor... eu ainda acredito nessas baboseiras... ainda.
Can I trust again?

domingo, maio 23, 2004

goodbye



É certo que certos aprendizados vêm a um custo muito alto. É certo que algumas quedas são de lugares altos demais...
É estranho sentir o quanto a realidade é desafiadora, seja qual for o seu tipo de intenção (estou realmente cansado das explicações dos meus livros). A complexidade das relações construídas entre as pessoas é maior do que qualquer tipo de tentativa de explicação. Um pequeno desentendimento, uma pequena falha de comunicação pode ser suficiente para desabrochar um universo de impossibilidades entre duas pessoas... seja entre dois amigos, entre dois colegas, entre dois membros da mesma família, entre dois amantes. E de onde surge esse universo de impossibilidades? Pois é... não há possibilidade de explicação. É certo que não existem culpados (muito menos eu) assim como tb não existem inocentes (muito menos eu).
É péssima a sensação de não controlar a sua vida. A sensação de que as coisas acontecem sem o seu aval. É muito cruel! É ruim olhar prá trás, todos os erros, e perceber que... não há nem como se arrepender, pois naquele momento passado você não enxergava seus erros claramente, você simplesmente enxergava de outro jeito. É péssimo pensar que vc percebeu as coisas tarde demais e que já não há volta. É péssimo pensar que todo um universo de impossibilidades foi desabrochado por você... e pior ainda é pensar que você não tinha como evitar, já que a sua mente não lhe apresentou outras opções naqueles momentos.
Bom... o que me resta é aprender com tudo e não esquecer. Para que da próxima vez eu já saiba o que fazer e o que não fazer. E se as coisas derem errado de novo? Só sei que vou, mais uma vez, fazer o meu melhor (assim como sempre fiz). Se agora o meu melhor ficou longe de ser suficiente, espero que um dia seja suficiente.

Duas faculdades... dois Projetos. Uma só pessoa...

Na Upis: "Nietzsche e a Historiografia"
Na UnB: "A Questão Romântica da "Morte do Sagrado" e seu reaparecimento na obra de Murilo Rubião"
Tô achando que é metafísica demais para uma cabeça só...

"If i told you this was killing me, would you stop?"

Se eu te dissesse que isto está me matando, você pararia?



Até quando vou ter paciência pra esse blog? Sei lá, mas... vamos ver. Garanto que não é falta do q fazer... aliás, tá bem longe disso. É apenas uma simples e sufocante vontade de escrever!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

So... provoke me!

sexta-feira, maio 21, 2004

dreams



kafanov

quadro - Kafanov

Primeiro pensamento do dia.


CHAPTER 1 - Sometimes I think that I´m over reacting... sometimes I fear that I´m not over reacting.

As vezes eu acho que estou exagerando... as vezes eu tenho medo de que não esteja exagerando. De qualquer forma, sei que o momento em que se acorda é o pior. A não ser quando tenho que acordar cedo e correr para chegar a tempo. Quando isso acontece, não há tempo para pensar. Além disso, uma noite curta de sono é o suficiente para quebrar todas as barreiras arduamente construídas ao longo do dia. O momento em que se acorda é da mais pura fragilidade, pois a mente, após poucos sonhos e muitos pesadelos, está vazia, pronta para sofrer uma invasão do pensamento reprimido. Logo após sair da cama, você se veste e começa a colocar seus músculos para se exercitarem. Começa a usar sua mente, a construir ações simples do dia-a-dia. Ir ao banheiro, tomar café, se arrumar para sair, prestar atenção para ver se não está esquecendo algo importante e etc. Essas ações, que se repetem diariamente e durante todo o dia, são os pensamentos que tentam barrar aquele primeiro pensamento do dia que você teve ao acordar. Muitas vezes, durante seu monótono dia, esse primeiro pensamento vence as barreiras e aflora. Nesses momentos, você pára suas atividades, desiste do mundo exterior. Após momentos de intensa batalha com sua mente, você volta ao seu mundo cotiano, ao trabalho, aos estudos, ao almoço, ao escovar os dentes... mas ainda assim, você sabe que esses pensamentos que servem como barreiras não são fortes o suficiente para segurar o tal pensamento inicial. Este é, com certeza, o mais poderoso. Mesmo assim, você faz seus esforços para fugir dele, afinal, você ainda quer sobreviver. Você tem obrigação de respirar, certo?
É certo que após um dia desses você estará exausto ao chegar em casa de noite. Sua mente, cansada da batalha, trabalha em marcha lenta, mas não pode descuidar... a batalha parece nunca terminar. Você faz suas rotineiras atividades... toma um banho, come alguma coisa, as vezes vê um pouco de televisão e acaba pegando no sono. Seu corpo descansa, mas e sua cansada mente? Poucos sonhos e muitos pesadelos... mas afinal, nesses momentos, o que seria um sonho e o que seria um pesadelo?
Há uns dias atrás, o que hoje pode ser visto como um pesadelo para você, era o mais agradável dos sonhos. No entanto, sua mente está doente agora, confusa. Aquele primeiro pensamento do dia não te deixa nem dormir em paz! Porém, nos momentos de confusão de sua mente, ela sonha com seu pesadelo real, sonha com seu primeiro pensamento do dia e talvez, sim, nesse momento, você tenha um momento de paz... mas não passa de uma fugidia e pura ilusão de sua mente, uma nostalgia onírica. Ela ainda não se acostumou com aquele primeiro pensamento, ou melhor, ainda não aprendeu a codificar que ele não se trata mais de um sonho e sim de um pesadelo. Ainda assim, é um descanso e um descanso muito merecido, ainda que, quando você acordar, preferirá não ter tido aquele sonho, quer dizer, aquele pesadelo. É dessa forma que o momento em que você acorda se torna o pior momento do dia. Sem desfesas, frágil presa para suas memórias. Mas você precisa acordar, certo?
Importante notar que os pensamentos que servem como barreiras, ou seja, as ações cotidianas, se tornam cada vez mais insuportáveis, insignificantes. Pra que ir trabalhar e encontrar aquele monte de serviço inútil acumulado em cima da sua mesa? Pra que ir estudar e ficar ouvindo os seus professores dizerem que têm razão? Pra que?
O fato é que quando você se faz essa pergunta muitas vezes ao dia, percebe que o seu pensamento inicial é um vício. Um vício difícil de se largar, afinal, como todos os vícios, ele já te foi muito prazeroso. Nesse momento, você pode facilmente arriscar dizer que esse pensamento movia sua vida em direção à felicidade e que todo o resto só funcionava em função dele. A prova é que sua vida está completamente parada agora que está viciado. O que acontece é que cada vez mais você alimenta esse vício, cada vez mais você para de ver como um vício e passa a ver como sua vida normal. Viver sufocado e se alimentando de melancolia torna-se um modo de vida... o seu modo de vida. As 24 horas se tornam mais um ciclo sem fim, sem saída.
A não ser que... você não acorde.


Chapter 2: "I´m in love with my sadness"

Estou apaixonado pela minha tristeza...