segunda-feira, dezembro 01, 2008

Corpo / Tempo

Países, lugares
se tornam marcos
cuidadosamente esculpidos
pelo acaso
para auxílio da memória

Por entre os marcos
faz-se o inefável, o indizível
o mágico...

Tudo vai se encaixando
milhares de variáveis
vão se transformando
em um só rastro...
o rastro do passado.
Melhor, o rastro de presentes.

Mágica

Se os lugares são marcos,
as pessoas são o combustível
de um acaso afiado.
Se meu corpo é o espaço,
as pessoas serão as cicatrizes.

O tempo
já se esfumaçou
mas as feridas
ainda doem.

Um bom banho de sal grosso
pra fazer arder
os cortes!
pra recomeçar
com dor.
Porque só com dor
me sinto vivo.

O que sobra?
Um som...
estridente, metálico.

Afiam-se as navalhas
e eu ofereço minha pele
com todo prazer.