quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Lima - Peru

Lima eh uma cidade bonita. Pracas bacanas, muita gente. A viagem de Trujillo ate aki foi digna de se contar como foi. Diante de um preco salgado, viajamos mais barato no bagageiro do onibus. huahau. Eh um espaco q os motoristas arrumam uma cama pra descansar, mas clandestinamente vendem esses lugares. Quem deu a ideia foi Luis, um maluco q conhecemos em trujillo e esta nos acompanhando aqui em lima. A viagem foi muito melhor q se tivessemos ido normalmente. A "bodega" (como se chama esse espaco com a cama no bagageiro) era espacosa e dava pra deitar numa boa!

Trujillo - Peru

Da selva pro deserto. Assim que chegamos no Peru atravessamos um imenso deserto q a vista naum mais alcancava. A mudanca de paisagem foi impressionante. Diante da longa distancia ate Lima, por acaso, resolvemos fazer uma pequena parada em Trujillo. Uma pequena parada virou quase 5 dias. Nos hospedamos em uma casa onde os quartos eram alugados por um preco bem barato. Nessa casa encontramos uma galera muito loka... e esse foi o maior motivo para ficarmos tanto tempo la. Alem disso, era quase na beira da praia. Praia de Huanchaco. nunca pensei q iria curtir praia no Peru e apesar d naum ser muito boa (do nivel das praias do Espirito Santo ai no Brasil), ficamos 5 dias di boa. o por do sol no pacifico foi o mais belo q ja vi, com o sol gigantesco e com uma cor meio alaranjada. Alem disso, muito livro, troca d ideias com gente de varios cantos do mundo e a certeza q o melhor a se fazer eh viajar mais lentamente, curtindo mais os lugares...
Alem da praia, visitamos as primeiras ruinas. Chan Chan eh uma cidade da cultura Chimo (ai Gustavo, tu ta ligado nesse povo Chimo?) e o territorio foi conquistado pelos incas posteriormente. O detalhe eh q a grande cidade foi construida com barro! isso mesmo, uma cidade de barro. Chan Chan impressiona. Alem disso, visitamos uns palacios feitos em homenagem ao Sol e a lua. Havia ruinas muito bem preservadas e ate mesmo com cores! Muitos lugares ainda estao sendo escavados e naum estao prontos para visitacao. fotos e mais fotos...

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Puyo - Equador

muito dificil falar desses 3 dias na tribo. q viagem! o lider deles, Tsamarenda, era um indio ativista. A oportunidade d ir pra essa tribo se deve ao intercambio cultural promovido por ele. A aldeia tinha algumas instalacoes ja prontas pra receber quem quiser chegar. Estivemos la junto com uma galera gente boa da colombia. E qd saimos estava chegando um alemao. Os shuar inventaram a Universidade de conhecimentos ancestrais. Se vc chega la e eh aprovado pelo chefe da tribo pode ficar por la aprendendo a lingua, os remedios e tudo mais, ou seja, eh um conhecimento oral. naum ha nada de escrita nessa "universidade". e ja tinha uma galera q estava em plena formacao. E confesso q fikei tentado... hauhau mas depois d 3 dias comendo tudo natural, eu ja tava doido por um refri.
Mas eh muito louco pensar q ha a opcao de se comecar uma vida dessas. em volta d uma fogueira havia as conversas, as historias... essas eram as "aulas". toda a forca da tradicao oral. dentre os costumes estava tb a poligamia e tudo tinha uma forte explicacao mitica (mitica pra mim eh claro, pra eles eh o q ha). Os remedios naturais eram diversos. Ao andar pela mata, os indios explicaam pra q servia cada planta. Desde dor d barriga ate remedio pra prevenir o cancer. Havia tb mais de 20 especies d ayuasca. cada uma com um efeito, um proposito nos rituais.
A tradicao dos Shuar com a ayuasca eh das antiga. A religiao eh baseada nesses rituais e la, ja se toma desde crianca. Naum consegui imaginar algo tao forte enquanto crianca. Tsamarenda eh como um guru e segundo ele, ja era quase um xama, mas ainda faltava um pouco. Um verdadeiro pacifista com uma energia muito boa. Mas o chefao era outro indio q era muito gentil tb. Ele eh o cara q aprova ou desaprova tudo e foi ele q aprovou q nos tomassemos. Junto com a galera da colombia ingressamos em um ritual inacreditavel. Jejum, varios chas durante o dia em preparacao para a hora do ritual, ao entardecer. Alem de varios papos sobre os efeitos, sobre o significado. Crescimento espiritual. Tudo muito bem explicado, embasado. O chefe preparou tres tipos... so ele poderia fazer a bebida. cada um teria o q o chefe quisesse, de acordo com a observacao q o proprio faz desde o momento em q se chega na aldeia. Alguns da galera da colombia ja tinha tomado um dia atras em outro lugar e alguns foram impedidos de tomar d novo, mas tomariam outra coisa... tem pra todos! outros tiveram "sonhos" ruins qd tomaram e passariam por um processo diferente, para mudar a energia negativa. Estes tomaram floripondio, q eh muito mais forte (muito mais!).

Nos dirigimos a uma montanha, no meio da mata onde havia uma casinha. Enquanto tomariamos, os indios cuidariam de nos.

Durante o ritual, tudo se passou de forma incrive. Antes, tocava-se uma concha q fazia um barulho alto para avisar as comunidades vizinhas sobre o ritual do dia. Tsamarenda vestia uma saia com pele de jaguar. Mas o clima naum era pesadao. Os indios sempre estavam com um semblante feliz, o q me fazia acalmar. Um a um bebiamos, colocavamos a mao em uma pedra (pra sugar a energia da pedra) e la iamos para um canto, sozinhos, de cara pra floresta, no escuro... meditando. Vomitar era quase que inevitavel, segundo os indios. D fato, depois d um tempo vomitei. A fraqueza do meu corpo eram tanta q o enjoo era muito forte. quanto ao efeito, posso dizer q fikei loko... bem loko. mas sempre muito consciente, numa onda tranquilissima, paz total. Mas o enjoo era tao foda q eu pedia pra passar logo o efeito. D vez em qd um indio chegava perto pra ver como estava. Dpois d um tempo voltamos pra aldeia, longe d estar de cara. Tive q voltar amparado, naum conseguia nem caminhar direito. QQ esforco e vontade d vomitar e ir no banheiro. Dpois d um tempo consegui chegar no quarto ficar quieto pra ver se a onda passava. Naum dormi, mas naum passei mais mal. no dia seguinte, 5 da manha, acordam-nos para tomar um banho gelado no rio. Tudo ja fazia parte do ritual. Qd acordei, percebi q estava lokissimo ainda e ainda passando mal ao menor esforco. O banho no rio foi um alivio, apesar do frio. So assim fikei d cara e me recuperei um poko. Alivio!
Depois, Tsamarenda nos disse q a ayuasca q tomamos era mais pra limpeza do estomago. nada muito forte, para visoes. Ainda assim, pra mim foi forte pra porra! Me senti realmente renovado...

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Puyo - Equador

Hympe !
Esse eh meu novo nome indigena. (pronuncia-se quase igual a hemp, em ingles). Mas ker dizer: beija-flor... huahaua. fui nomeado assim no ultimo dos nossos 3 dias na tribo Schwar.
3 diasvivendo "quase" igual aos indios. uma tribo fincada no meio da selva amazonica. Tomamos banho d rio, comemos frutas estranhas, vimos bixos diferentes. Enfim, cheiros, gostos... sensacoes diferentes. Uma das atividades foi praticar esportes. primeiro, cabo d guerra. Depois, zarabatana. Como alguns sabem, sou um atleta. Na zarabatana, naum teve pra ninguem e eu fui logo acertando no alvo. (e eh claro q naum vou comentar o fracasso do cabo d guerra). Por isso o nome Hympe... pelo menos essa foi a ligacao dos indio, ja q o passaro tem o significado indigena d "mais rapido q uma flecha", ker dizer, zarabatana e flecha tudo a ver. Hympe.
Como costume dos indios Schwar, dentre mil coisas estava em destaque a religiao. Regada a muita ayuasca. Mas o tempo ta acabando e dpois conto essa historia...

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

imensidao...

estar a altura das nuvens naum parece ser algo muito estranho por onde tenho ido. A altitude eh quase sempre maior que 2 mil metros. As viagens de onibus sao um saco. os onibus sao ruins, demoram, param demais... mas enquanto o corpo se contorce pra caber em uma pequena poltrona os olhos descansam. Isso pq olhar pela janela quase sempre eh garantia de que haverá uma paisagem digna de folhinha de calendário. Sao montanhas gigantescas. tento prestar atencao ao maximo. Foco nas cachoeiras que vejo caírem nas encostas, nas aguias que sobrevoam o territorio. A vontade eh d naum deixar passar nada. Nas primeiras viagens, naum parava de tirar fotos, mas logo percebi que o efeito de se estar diante, ao vivo, da Cordilheira dos Andes nao pode ser captado por uma lente. E me doi saber que o maximo que vou poder mostrar sao fotos a serem apreciadas em no maximo 29 polegadas. Naum existe video ou foto que consiga captar a imensidao. De repente, percebo uma névoa pela janela... e me dou conta de que naum eh apenas uma neblina... sao as nuvens. O ceu naum eh tao intangivel para quem mora nessa regiao, naum eh tao longe, ja que quando menos se espera, o ceu esta diante dos olhos. Imensidao... o pensamento vagueia e parece que quanto maior o espetaculo diante dos olhos, mais longe vai o pensamento. Descanso para os olhos... pensamento vagamundo. Pensar naum, deixar ir... na imensidao... que a memoria grave o que quiser... que a minha historia se faca pelo acaso dos caminhos do proximo onibus, da proxima estrada, do proximo instante-já... longe, muito longe. Sobe, desce montanha, curvas e mais curvas... sem retas (pra que retas? sao um saco!). Queres saber como/onde estou? Literalmente, estou nas nuvens...

Equador

Chegamos na pequena cidade de Otavalo. A atracao eh um mercado com artesanato indigena. Mas naum eh um simples mercadinho tipo feira da torre, eh o mais antigo mercado indigena, pre-inca. A variedade de cores, estampas, tecidos eh impressionante! ficamos de cara e o mais dificil eh segurar a onda pra naum gastar toda a grana. Alem disso, a cidade eh de maioria indigena e os indios equatorianos sao um povo bem... exotico, digamos assim. Quase todos eles com cabelos longos e lisissimos eh claro. eh engracado ver os mulekinho d 2 anos com o cabelo grandao! hauhaua. Alem das compras fizemos uma caminhadinha d 3 horas ate um vulcao (inativo eh claro hauhau) numa subida a mais d 3 mil metros d altura. Nos 3 concordamos q nunca ficamos tao cansados na vida. e na verdade, nem chegamos no cume. De la fomos para Quito.
Antes de chegarmos em Quito ficamos sabendo q o bicho tava pegando com manifestacoes. Adrenalina pura! Ficamos por la so um dia. A cidade naum eh la essas coisas e o mais interessante foi tirar fotinha com um pe no hemisferio sul e outro no hemisferio norte. Linha do Equador! Qd iamos embora para o hotel, descobrimos q a linha do nosso onibus estava interditada por causa d manifestacoes. Mas no final naum vimos nada e chegamos ilesos.
Bom... agora o q mais? Agora estamos em Puyo, em plena floresta amazonica equatoriana e o plano eh passar uns 2 dias em uma aldeia indigena. No mais, agora naum tenho a minima ideia do q vai acontecer nas proximas horas, mas... daki a 2 dias, se naum formos engolidos por nenhuma dakelas anacondas, estaremos d volta a civilizacao...
Gustavo, se liga seu folgado! Tu fica montado nesse computador 24 horas por dia e ker q eu te mande e-mail avisando? Vai se lascar!porra! Assinado: "pés ao vento" (meu novo nome indigena).